Bolsonaro suspendeu entrada no PL após repercussão nas redes e união ter virado munição para Moro 'faturar' agenda anticorrupção


Além de problemas em alianças estaduais com o PL, como o palanque de São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro suspendeu sua filiação ao partido após a repercussão negativa da união com o partido nas redes sociais --na mesma semana em que o ex-ministro Sergio Moro discursou, durante filiação ao Podemos, ressaltando o combate à corrupção como prioridade para uma eventual candidatura à Presidência da República.


Segundo o blog apurou, monitoramento das redes sociais feito por aliados de Bolsonaro mostra que Valdemar Costa Neto tem sua imagem muito ligada à do ex-presidente Lula, por causa do escândalo do mensalão --e o fato foi lembrado e criticado por bolsonaristas nas redes sociais na semana passada, quando o partido resolveu anunciar a filiação de Bolsonaro para o dia 22.



O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em vídeo no qual convida publicamente Bolsonaro a se filiar — Foto: Reprodução / YouTube

Apesar de o dia da filiação ter sido anunciado só na última quarta-feira, a ida de Bolsonaro para o PL já tinha sido divulgada desde o dia 8. Só faltava a definição da data da filiação, o que foi ocorreu na última quarta-feira, mesmo dia do discurso de Moro.


Carlos Bolsonaro, quando o pai não era aliado ao PL, chegou a atacar Valdemar nas redes sociais --o post foi apagado. No entanto, bolsonaristas seguem atacando o casamento com o partido, expoente do centrão, nas redes sociais.

Para integrantes do PL, a repercussão piorou pois o anúncio do casamento com PL serviu de munição para Moro "surfar" ainda mais na agenda anticorrupção. Moro, hoje inimigo de Bolsonaro, fez um discurso, durante a sua filiação ao Podemos defendendo o combate à corrupção e lembrando os escândalos do mensalão, do petrolão --esquemas envolvendo nomes do PT, que tem Lula como candidato-- e também citou o esquema das rachadinhas, que tem como alvo Flávio Bolsonaro, senador e filho do presidente da República.


No dia seguinte à fala de Moro, Bolsonaro admitiu que acompanhou o discurso e fez críticas, ironizando o ex-ministro. Para integrantes do PL, Bolsonaro "passou recibo" de que está incomodado com a possível candidatura de Moro por temer que ele explore o tema anticorrupção sempre que discursar -- e lembrar, a partir de agora, além das rachadinhas, a união de Bolsonaro a um nome que remete ao escândalo do mensalão.

Diante desse cenário, Bolsonaro adiou a filiação ao partido alegando que faltam ajustes com o PL, como a pauta de costumes -- mas não dá certeza se manterá o casamento.

No Planalto, auxiliares de Bolsonaro afirmaram ao blog não ter dúvidas de que Bolsonaro é "influenciável e suscetível" às redes sociais, mas argumentam que "esse tipo de repercussão acontecerá com qualquer partido ao qual ele se filiar". Nenhum assessor do presidente ouvido pelo blog sabe dizer se ele manterá o compromisso de se filiar ao PL.

"Eu só acredito nesse casamento com PL quando presidente assinar o papel. E, se ele desistir, Valdemar não vai aceitar pacificamente, pois se expôs muito", disse um ministro.


No caso de desistência, partidos aliados apostam na ida do presidente ao PP, também uma legenda do Centrão e com alvos de investigação, por exemplo, da Lava Jato.

Ou seja, como diz um líder do Centrão: "Bolsonaro, mesmo se desistir do PL, terá dificuldades em achar uma saída fora do Centrão".

Fonte: Andréia Sadi / G1 / GloboNews

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