FORTALEZA FUTEBOL CLUBE: DO SUCO DE UVA NA RUA B À FINAL DO BARREIRENSE



Como historiador apaixonado pelo futebol amador, aquele que nasce do

barro, da poeira e do sonho coletivo, conto agora a história do Fortaleza Futebol


Clube de Barreiras, uma história que começa antes das atas, antes do CNPJ,

antes mesmo da data oficial.

Por Messias Barroso

Repórter Esportivo / Jornalista – RP/BA 5962

Há histórias que o futebol profissional jamais conseguirá contar. Elas

nascem nos bairros, nas ruas de terra, nas casas simples onde se reúnem homens

movidos apenas pela paixão pela bola. Assim é a história do Fortaleza Futebol

Clube, da Vila dos Funcionários, em Barreiras – Bahia.


Fundado oficialmente em 22 de maio de 1981, o Fortaleza já existia muito

antes dessa data. Existia no sonho e na iniciativa de Tiquila, do seu Gama, um

apaixonado pelo futebol que reuniu amigos, atletas e moradores da Vila dos

Funcionários para criar um time que representasse o bairro com orgulho e

dignidade.

Quando criança, lembro-me bem: as reuniões do Fortaleza aconteciam na

residência de Tiquila, ao lado da minha casa, na Rua B da Vila dos Funcionários.

Após cada reunião, vinha um gesto simples que se transformou em memória

afetiva: era servido um suco de uva de pacotinho ou um ponche de laranja. Ali não

se discutia apenas futebol; construía-se uma família. Hoje, Tiquila reside em

Brasília, mas sua história permanece eternizada no Fortaleza.

É importante destacar que o Fortaleza Futebol Clube de Barreiras é uma

entidade local, sem qualquer vínculo com o Fortaleza Esporte Clube, fundado em

1918, na capital do Ceará. O clube barreirense possui CNPJ 13.230.636/0001-71

e sede na Rua Vila dos Funcionários, nº 40, no bairro Vila dos Funcionários —

sede essa construída com muito esforço pela diretoria histórica e hoje empossada

pela Prefeitura Municipal, como reconhecimento da importância social do clube.

A diretoria que construiu a sede do Fortaleza

A construção da sede do Fortaleza Futebol Clube não foi obra do acaso.

Foi fruto do trabalho incansável de homens que acreditaram que o clube precisava

de um espaço próprio, símbolo de identidade e permanência. Entre os

responsáveis por essa conquista histórica estão:

Valdir Coutinho, Toinho do Gabril (in memoriam), Luís Marques Barbosa,

Cap. Andrade, Gilvan, Januário, Nonato da Rozaria, Jacó e Carlos Alberto.

Essa diretoria não construiu apenas paredes. Construiu memória,

pertencimento e dignidade, garantindo que o Fortaleza tivesse um lar definitivo na

Vila dos Funcionários. Hoje a prefeitura tomou posse do imóvel.

Craques que vestiram o manto do Leão da Vila

Dentro de campo, o Fortaleza construiu sua história com grandes nomes

do futebol amador. Além dos já consagrados, também defenderam o clube atletas

que marcaram época, como:

Bernaldo, os irmãos Teco, Eládio e Elias, Nego, Edson, Assis Trubaca,

Dier, Barro Lima, Zé Ivan — ex-jogador profissional, com passagens por Guarani

de Sobral, Nacional do Amazonas e Sampaio Corrêa, além de ter sido cogitado, à

época, para o Botafogo do Rio de Janeiro — Valdecir, Antônio José (in memoriam),

os irmãos Neto, Zé Maria in memoria, Amaro e Veludo.

Somam-se a eles nomes já eternizados na memória do clube, como

Cotonho, Sulança, Toinho do ABC, Zé Shirley, Aldo, Ferreti, *Hamilton (Bisoca)

(in memoriam), *Raimundinho (in memoriam), João Darque, Lúcio Trubaca, Tião,

*Ferrolho (in memoriam), Zezinho Folha, *Assis Canguru (in memoriam), Roseli,

Valterberg, que veio de Fortaleza, Robevaio, Beethoven, Dezim, Budinha, Fabrício

Lennon e tantos outros que ajudaram a escrever essa rica trajetória.

A resistência silenciosa de Carlos Alberto

Ao longo desses longos anos, entre altos e baixos, se há um nome que

simboliza resistência e fidelidade, esse nome é Carlos Alberto. Diretor do clube,

ele jamais deixou o Fortaleza morrer, mesmo nos períodos mais difíceis, quando

faltava apoio, recursos e até calendário.

Carlos Alberto é um dos poucos remanescentes das antigas gestões,

guardião da memória e da identidade do clube. Sua dedicação silenciosa foi

fundamental para que o Leão da Vila pudesse, mais uma vez, se levantar.

A reconstrução e o presente glorioso

O Fortaleza tem uma marca registrada: sempre ressurge mais forte. Em

2024, sob o comando do jovem, corajoso e confiante presidente Geovani

Azevedo, cria da Vila dos Funcionários, o clube aceitou o desafio quase

impossível de retornar à Primeira Divisão do Campeonato Barreirense.

Ao lado do vice-presidente Alex da Prime e de uma diretoria

comprometida, Geovani enfrentou dificuldades, promoveu a reestruturação do

clube e buscou reforços em Luís Eduardo Magalhães e São Desidério. Destaque

para o goleiro Lata, o lateral-esquerdo Dejair, além de Pablo e Silas, artilheiro da

equipe. Ainda assim, o Fortaleza mantém sua essência: o coletivo acima das

individualidades.

E hoje, dia 13, o Fortaleza Futebol Clube entra em campo para disputar a

final do Campeonato Barreirense, contra o Projeto Ravely, no Estádio Geraldão.

Mais do que uma decisão, é a celebração de uma história feita de simplicidade,

luta e amor ao futebol.

A Vila dos Funcionários espera mais um título.

O Leão da Vila ruge novamente.

Por Messias Barroso jornalista e repórter esportivo 
ANUNCIE AQUI